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Name: Bernardo Veiga

Tuesday, August 08, 2006

8)

“Se tudo nessa terra é vaidade
O amor se torna o fardo do infeliz,
É desgraça, é tormento, é o juiz
Da sorte, do destino e da saudade.”
É verdade que amor é o pesar,
Mas dos livres, dos bons e dos ditosos;
O vil é inconstante no fiar
O bom resiste à dor e aos fins morosos.
Pois, grande tem amor que do destino
Não se fia e da sorte não agrada;
Não se curva aos olhares como um hino
Mas conforme o valor de sua amada.
Jamais será feliz o vaidoso
Se só olhar p’ra si como amoroso.

7)

Existirá labor por ter de um anjo
Apreço lhe devido como tal?
Pois, sendo tão ditoso e angelical
Resguarda sobre si qualquer arranjo.
Mas há ex-desditosos tanto humanos
Que só de pena e piedade esperam
E, vis, mundanos, pérfidos viveram,
Contudo a contrição mostrou-se em anos.
Há outros pela ausência desferida
De quem lhe dera essência e lhe fizera,
Mas estes, padecendo, a treva vera
Tiveram já justeza nessa vida.
E quem escárnio tem de toda morte,
Pondera pouco a sua, e muito a sorte.

Monday, August 07, 2006

6)

Quando se encontra amor como esperança
Da sorte vê-se o corpo em dura pena;
Sofrer até da morte – nunca alcança –,
Ou amor fazer real, quando lhe ordena:
“Coragem! Sede sábio, mas valente,
Retenhas contra ti qualquer orgulho
E tenhas por desfecho alegremente.
Esqueças dessa mente, tanto entulho,
Por nada ter amor Jamais tocado.”
O corpo, então, renega o próprio intento,
E, cego, desconhece qual do fado
Ardor o levará sem sofrimento.
Assim padecem todos por amor,
Ausente de humildade, mas honor.

5)

O coro, a exaltar heróis passados,
Fizeram deles tolos, outros vis,
Pela fraqueza humana desgraçados
E escravos desse belo, como o quis.
Assim, é no presente a mesma sorte;
Volúvel, orgulhoso se apresenta
Um homem desejoso de ser forte
Que vela apaixonado sua tormenta.
Mas quem possui perfeita fortaleza
Na carne destroçada dessa gente?
Impura, quem resguarda a natureza?
Ou quem divina graça não se ausente?
Nada! Contudo sofre a cada instante
Em se livrar (jamais) do eterno amante.

Friday, July 07, 2006

4)

Em cada face espera na agonia
O inocente olhar do jovem amante;
Perdido noutro amor que perfazia
Inveja tilintar em som vibrante.
Um doce, como o mel na primavera,
Guiava antigamente os seus sentidos
E tudo que o movia e detivera
Eram do amor primeiro sempre tidos.
Mas como atroz figura em meio a guerra
O dano causa a todos na batalha,
Rendendo na dureza dessa terra.
Amor..., que perde a paz, porquanto calha.
Se tem a sorte triste e desditosa,
Recorda noutro tempo a bonançosa.

Tuesday, July 04, 2006

3)

Se inexistisse amor em ser humano
Teria o que haver à noite ou dia,
Se cada vil profeta ao desengano
O vaticínio atroz em vão traria.
Mas quem do amor se nega a natureza
Verá pela razão um só caminho,
Enquanto perde cá tanta beleza
Que nunca viu-se nele tão sozinho.
Pois, belo é o que move e seu movido
Em nada também perde o predicado,
Que de perfeito e quanto convergido
No amor possui sentido resguardado.
Se amor é mero dito ou fantasia,
Tais versos, que farão dessa ironia?

Monday, July 03, 2006

2)

O velho que reclama nova idade,
O pobre que deseja só riqueza,
O feio que se queda por beleza,
O sábio que se perde da verdade...

O mundo que recebe outra bondade
Despreza como sua, a Realeza,
E toma como Bem a natureza
E faz da sua ação insanidade.

Afirma outra medida por razão;
Declara a nova “luz” do entendimento
E faz da própria mente a criação;

Se diz senhor do céu e o movimento
Por ter perdido o pobre coração
Nas coisas que se perdem por momento.

Sunday, July 02, 2006

1)

Vilã de todo amor a fantasia
De ser amado em tempo desejado,
Sem ter neste presente edificado
O que o próprio intento bem queria.

Quem dirá ao amante que o seu dia
Será do seu futuro só passado
Se nunca for do amor bem devotado,
Mas servo d’ilusão que o próprio cria?

Loucura é ter na mente atrevimento
Se não for comportado e verdadeiro
O seu querer e o pobre pensamento,

Mas nobre e corajoso: um bom guerreiro
Que tem na fortaleza o seu sustento,
Que não é da vergonha prisioneiro.

Meu nome é Bernardo Veiga de Oliveira Alves.

Com este blog gostaria de divulgar as minhas poesias.

Além disso, embora tenha que pensar melhor, gostaria de publicar algum tipo de poesia, mais ou menos, diferente. Ela é uma espécie de poesia filosófica, mas não tem nome.

Já existe de alguma forma.

Ainda vou procurar defini-la melhor. Vou começar a escrever, depois vou defini-la.

Perfeito.

Eis os versos.